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Antonio Nobre
(1867-1900)
“Soneto 4”
– Sol poente
Ó Virgens que passais, ao sol poente,
pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
que me transporte ao meu perdido Lar!
Cantai-me, nessa voz onipotente,
o Sol que tomba, aureolando o Mar,
a fartura da seara reluzente,
o vinho, a Graça, a formosura, o luar!
Cantai! Cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu Lar desenterrai
todas aquelas ilusões antigas
que eu vi morrer num sonho, como um ai...
Ó suaves e frescas raparigas,
adormecei-me nessa voz... Cantai!
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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