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 Antonio Fogaça
1863 - 1888

"Soneto - Desgostosa"

O seu riso gentil que ainda me arrasta, 
como quem vai seguindo no deserto 
os raios dum clarão que julgar perto, 
mas que a segui-lo toda a vida gasta; 

Sua voz, seu olhar, sua alma casta, 
todo esse altivo e festival concerto 
- brancas formas de luz que ao seio aperto 
sonhadoramente, numa dor nefasta... 

Esse porte de brilho e majestade, 
e o seu modo sincero, doce e honesto, 
tudo a sombra da Mágoa, sem piedade, 

velou, tocando-a com seu ar funesto! 
Nunca eu sonhasse, ó íntima saudade, 
seu riso, voz, olhar e alma e gesto!... 

Antonio Maria Gomes Machado Fogaça


in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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