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Antonio Ferreira
1528 – 1560

                                    "Soneto " 
Nunca vista formosura

Aquela nunca vista formosura, 
aquela viva graça, e doce riso, 
humilde gravidade, alto aviso, 
mais divina, que humana Real brandura,

Aquela alma inocente, e sábia, e pura, 
que entre nós cá fazia um paraíso, 
ante os olhos a trago, e lá a diviso 
no Céu triunfa da morte, e sepultura.

Pois por quem choro triste? Por quem chamo 
sobre esta pedra dura a meus gemidos, 
que nem me pode ouvir, nem me reponde?

Meus suspiros nos Céus sejam ouvidos; 
e em quando a clara vista se me esconde, 
seu despojo amarei, amei, e amo.

Antonio Ferreira     
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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