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 Antonio Feijó
1862 - 1917

Antonio Joaquim de Castro Feijó, poeta e 
diplomata, nasceu em Ponte de Lima, em 1862, 
e faleceu em Estocolmo, Suécia, em 1917. 
É considerado o mais autêntico poeta da 
geração parnasiana de 1880 mas deixou vasta 
obra poética de inspiração romântica. 
Um dos seus sonetos antológicos, incluído 
em coletâneas brasileiras é "Pálida e Loura". 
Obra: Transfigurações, Líricas e Bucólicas, 
À janela do Ocidente, Cancioneiro Chinês,
Ilha de Amores, Bailatas, e dois volumes 
póstumos: Sol de Inverno e Novas Bailatas.
Na sua obra denota-se a influência do meio 
em que passou grande parte da sua vida, a 
Escandinávia, nomeadamente Estocolmo:

Silêncio (Ilha dos Amores) 

Longos dias sem luz, sem horizontes claros,
Tardes setentrionais dum silêncio sem fim...
E êsses olhos do Sul a brilhar como faros,
Mas suspensos de azul, muito longe de mim!

Vasto lençol de neve amortalhando tudo!
Florestas sem murmúrio, estradas sem ninguém...
Nessa desolação até o oceano é mudo,
Que a vaga, ao rebentar se congelou também!

Sol sem calor, sem luz, tremeluzindo a custo,
Como um fósforo a arder num nevoeiro alvacento...
De longe em longe algum esqueleto de arbusto!
Silêncio e solidão! Nem rumor de água ou vento!

Devem de ser assim as paisagens lunares,
Sem vida e sem calor... neve, silêncio, frio!...
Mas num céu côr de zinco, esvoaçando aos pares,
Os cisnes brancos vêm anunciando o estio!

Só no meu coração todo o gelo amontoado
Para se derreter e fundir de repente,
Precisava de calor do teu seio estrelado
Neste exílio polar, como um céu do Ocidente. 

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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