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   Antero de Quental
                       1842 - 1891                       

" Visão"

Eu vi o Amor - mas nos seus olhos baços 
nada sorria já: só fixo e lento 
morava agora ali um pensamento 
de dor sem tréguas e de íntimos cansaços. 

Pairava, como especto,nos espaços, 
todo envolto num nimbo pardacento... 
Na atitude convulsa do tormento, 
torcia e retorcia os magros braços... 

E arrancava das asas destroçadas 
a uma e uma as penas maculadas, 
soltando a espaço um soluço fundo, 

soluço de ódio e raiva impenitentes... 
E do fantasma as lágrimas ardentes 
caíam lentamente sobre o mundo! 

Antero Tarquino de Quental

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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