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   Antero de Quental
                       1842 - 1891                       

"No Céu"

No Céu, se existe um céu para quem chora,
Céu para as mágoas de quem sofre tanto...
Se é lá do amor o foco, puro e santo,
Chama que brilha, mas que não devora...

No Céu, se uma alma nesse espaço mora,
Que a prece escuta e enxuta o nosso pranto...
Se há pai, que estenda sobre nós o manto
Do amor piedoso... que eu não sinto agora...

No Céu, ó virgem! findarão meus males:
Hei-de lá renascer, eu que pareço
Aqui ter só nascido para dores.

Ali, ó lírio dos celestes vales!
Tendo seu fim, terão o seu começo,
Para não mais findar, nossos amores.


Antero Tarquino de Quental

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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