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" Soneto "
Américo Durão
1893- 1969
Setembro. Calma. O sol é um grito rubro
na alegria do céu azul cobalto,
e em tua musical voz de contralto
cantam manhãs de abril, tardes de outubro...
Vindimas. Sob os pâmpanos (1) descubro
cachos de ouro que ao teu desejo exalto . . .
Chamo por ti, erguendo as mãos ao alto...
Corres... E és como o sol um grito rubro!
Vens alegre e vermelha como as brasas,
depois, num vôo, as tuas mãos são asas...
Ergues um cacho de ouro à boca em sangue.
Solta-se o teu cabelo... Mar de seda!...
A bárbara volúpia me embebeda,
e unes a boca à minha boca exangue!
Américo de Oliveira Durão
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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