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" Soneto "
Amélia Janny
1839-1914
O sino repicara alegremente
chamando à festa a gente do povoado;
para ouvir um orador muito afamado,
tudo ia ligeiro e impaciente.
Vivera ali, criança e adolescente,
pelos montes errante, a guardar gado:
ordenara-se à custa do morgado,
homem piedoso, benfazejo e crente.
Ficara bom: nunca esquecera aquela
que ao peito seu, tão pobre e amando-o tanto,
tanta vez o levara a essa capela!
Sobe ao púlpito, enfim, sob esse encanto;
mas na turba só vê a imagem d'Ela,
e desce, sem falar, banhado em pranto!
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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