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" Abelard "
Alice Moderno
1867-1946
Cisma um frade na cela úmida e fria
ao pé de uma janela gradeada;
na sua fronte vasta e calcinada,
fundas rugas traçou a hipocondria.
A luz do seu olhar, tênue e sombria,
traduz uma saudade amargurada,
na amplidão brilha a lua prateada,
a lua, a companheira da agonia!
Abelard fita o éter. De repente
o seu profundo olhar torna-se ardente,
parece que nos céus alguém divisa...
Geme a brisa do outono entre o arvoredo,
e ele ouve, balbuciando-lhe um segredo,
uma voz semelhante á de Heloísa!
Alice Moderno
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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