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"Mãos de Cega"
                      
Alfredo Pedro Guisado 
                                                      (1891-1975)


Sinto que as tuas mãos são teus olhos vencidos, 
Teus olhos que esquecendo as orações da luz 
São claustros apagando os passos esquecidos 
De Deus ao regressar de amortalhar Jesus. 

Sinto-as tanger ainda os violinos velhos, 
Onde os dedos saltando em cordas de oiro, à tarde, 
Te cegaram de som. E em candelabros arde 
Teu antigo olhar emoldurando espelhos. 

Teus dedos ao bater nas tuas mãos são remos. 
Inda vejo nas salas do palácio, arfando, 
As tuas mãos de Dôr entreabrindo portas. 

Buscamo-nos em Côr e quando nos perdemos 
Passam as tuas mãos em meus dedos, scismando 
Estátuas de marfim sôbre as arcadas, mortas… 

Alfredo Pedro Guisado 
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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