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"A Súplica da Múmia"
Alberto Osório de Castro
1868-1946
Em Antínoe morri nova e linda. As Sereias
invejariam, sei, meu colo de mulher.
Meu cabelo enleava embruxadas cadeias.
Minha pele espirava (1) o aroma de hacopher.
Quem meus beijos provou não quisera morrer.
Quando eu passava engrinaldada de ninfeas,
o desejo no olhar dos homens e em suas veias
era uma flor eternamente a eflorescer.
E este ventre fendido e que te causa horror,
viandante! Já foi uma rosa de amor,
mais rósea que o revoar de íbis róseos em bando.
Deixa esperar na sombra a minha múmia escura,
e hoje de mim só lembra esta viva pintura.
Meu olhar assim foi inebriante e brando.
(1) Exalava.
Alberto Osório de Castro
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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