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Afonso Lopes Vieira
1878-1946

"Para que?"

Como quem pára ao fim de uma jornada 
extenuado, exangue, e foi deixando 
o seu sangue no pó da imensa estrada 
por onde vinha há muito caminhando...

E sua vista, de chorar quebrada, 
ao caminho que andou e vai botando, 
e enfim reconheceu que andou pra nada 
e para nada foi que andou penando...

Assim eu, que gastei o sentimento 
pus nua a alma, e escrevi com sangue 
o que em meus olhos a tua alma lê.

Pergunto ao fim do áspero tormento: 
- alma que vais perdida e vais exangue, 
pra que choraste e andaste... para quê?

Afonso Lopes Vieira - Para Quê?
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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