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Afonso Duarte
(1884-1958)
"Vitral"
Franzina, é como um choupo (1) à luz da Lua;
é a noite escura o seu olhar de mágoa.
Uma ogiva os seus braços quando amua,
modelo foi dos cantarinhos de água.
Dizem os seios que a farão mãezinha:
oh, que linda menina casadoira!
São os seios da virgem donzelinha,
dois novelos saltando à dobadoira . (2)
Seus lábios, duas pétalas de rosa;
abrem as rosas como a boca enlaça...
Em beijo a boca é uma flor ciosa.
Num lago a Lua: o seu andar embala;
são suas mãos às que eu imploro a graça,
seu corpo esguio, uma ânfora com fala.
(1)Árvore, álamo branco, faia.
(2)Máquina de dobar, de fazer novelos.
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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