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Poetas Japoneses

Evidentemente, os sonetos japoneses figuram nesta 
Coletânea mais como uma nota pitoresca. Não nos foi 
possível ter em mãos um material literário suficiente 
para que se tentasse uma seleção verdadeira da melhor 
poesia lírica do Japão de nossos dias.
E dizemos de nossos dias, porque o soneto só foi 
realizado pelos poetas em época muito recente, depois 
que se tornou cada vez mais presente a influência 
Ocidental na vida do país.
Luís Antonio Pimentel meu velho amigo, poeta e 
jornalista fluminense em Niterói, viveu no Japão cerca 
de cinco anos e é um entusiasta da literatura japonesa.
Publicou, quando viveu lá, traduzido pelo poeta 
japonês Yonekura Teruo, um livro de poemas 
intitulado: "Nada no Kito" (Rosário de Lágrimas). 
Possui ainda, em edição Pongete, um livro de histórias 
infantis: "Contos do Velho Nipon".
A ele se devem as traduções dos três sonetos que 
apresentamos neste livro. O de Masao Kato, traduzidos 
do inglês. O de Isamu Yoshii, diretamente do japonês.
Depois da chamada guerra russo-japonesa, a partir do
começo de nosso século, começa a se caracterizar 
mais intensa a influência do Ocidente no Japão, 
através da ação conjunta de ingleses e norte-
americanos. Estados Unidos e Inglaterra, a pretexto de 
ajuda ao Japão, fornecem-lhe armas, e pretendem atraí-lo 
para sua órbita de interesses, neutralizando a ação russa.
Escritores americanos e europeus, e até russos, tiveram 
suas obras traduzidas: Shakespeare, Balzac, Victor 
Hugo, Musset, Heredia, Talstoi, Dostoiewski, Poe, e 
muitos outros passam a ser lidos pelos japoneses.
Mas a realização do soneto e sua adaptação à língua se 
fez com certa dificuldade pois o soneto japonês, pela 
índole do idioma, não pode ter rimas, tem que ser 
"branco". A frase japonesa, termina sempre em verbo, 
e as terminações dos verbos e das palavras são 
necessariamente em vogais - a, e, i, o, u - o que daria 
aos versos uma insuportável monotomia.
Mas os poetas modernos do Japão o têm realizado, 
utilizando-se habilmente dos seus caracteres gráficos, e 
procurando efeitos especiais mesmo sem as variações 
de sonoridades das línguas ocidentais. Os versos são 
metrificados, mas a contagem das sílabas é diferente 
pois todas as sílabas na língua japonesa são tônicas, ou 
melhor dizendo: átonas. não havendo portanto, elisões.

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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