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" A Mulher Sevilhana  "
                                           Manuel Machado

I
CARMEM

Quando, ao entardecer, doce aragem circula
como um suspiro no ar pelos campos de Triana,
o seu cabelo negro é tão negro que azula
e o seu ardente olhar floresce e se engalana.

Com esse ar superior de homem que se defende
de uma linda mulher - da sedução do amor –
passa Antonio - e num longo olhar de fogo, acende
a alma dela e lhe tinge as faces de rubor.

Ela o vê se afastar - confundindo no ouvido
o pulsar de seu seio e o passo conhecido.
E ao rezar, a ao regar as flores prediletas,

há um nome que a perturba em delicias secretas.
Ante o espelho, amanhã, lembrando o que sentiu
prende ao negro cabelo uma rosa de abril!


( Tradução de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Vol. II - 1a edição 1965)

Obs. No original as rimas das quadras também não se repetem.

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