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Lope Félix de Vega Carpio
1562-1635

" Soneto  Lucinda "


Lucinda, a loura, quando a uma ave abria 
certa vez, a gaiola, a prisioneira, 
da gaiola escapando-se ligeira, 
deixou confusa a moça. . . E esta dizia:

- "Ave por que me foges, e erradia 
voas? Talvez no bosque, forasteira,
laço, armadilha ou bala traiçoeira 
de falaz caçador te aguarde um dia!

Por que assim ao perigo dás a vida? 
Por que... - Mas nisto, de queixosa, em pranto 
desfez-se toda a pálida senhora...

E a ave à gaiola volta, comovida, 
comovida por vê-la chorar tanto, 
que tanto pode uma mulher que chora.


Tradução de Raimundo Correia
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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