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Gustavo Adolfo Bécquer    
1836-1870

 
" Sonetos Ao Zéfiro "


Zéfiro doce que, vagando alado, 
por entre as frescas, purpurinas flores, 
com suave beijo furta seus odores 
para espalhá-los pelo verde prado;

queixas de meu amor e meu cuidado 
leva à que, só de olhar, mata de amores, 
pede-lhe que alivie as minhas dores 
e me console o coração magoado.

Não! Não vás, não. . . Porque, se acaso a achares, 
e o de seus lábios cálido perfume 
pelo de um cravo enganador tomares,

provando-o, como é bem de teu costume,
embora pondo fim aos meus penares, 
eu iria de ti sentir ciúme .

Tradução de Mello Nóbrega 
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1966

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