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" Soneto
III "
(Cinco sonetos da ausência triste)
Demétrio Castro Villacañas
Se vais ao mar, amada, novamente,
que falem de meu corpo essas areias
onde a água agoniza a que estão cheias
de minha carne impressa. Tão recente
é o vestígio em que, acaso, vagamente,
resultou meu contorno. E as minhas veias,
em que há sangue agitado, em nada alheias
ao sol buscado à pele inutilmente .
Se vais ao mar, que a vaga mais crespada
te fale de meu torso, minhas mãos,
e do abraço que esteve em guerra ousada
aos intentos mais fortes e mais vãos .
Se vais ao mar, hás de saber, amada,
meus impulsos mais fundos e mais sãos.
Tradução de Pedro Paulo Gavazzoni Silva
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1966
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