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Antonio Machado
1875 / 1939
" As Cinzas de um
Crepúsculo,
Senhora "
As cinzas de um crepúsculo, Senhora,
- rôta a cinzenta nuvem da tormenta -
pintaram sobre a rocha pardacenta
no cerro, ao longe, um resplendor de aurora;
uma estática aurora em rocha fria
que assombra e que apavora o caminhante,
mais que feroz leão, em claro dia,
ou nas dobras da serra, a ursa gigante.
Com o fogo de um amor que é meu tormento
entre a esperança e o medo um sonho esboço,
procuro o mar, além... o esquecimento;
não, como à noite, a rocha, é o amor vosso,
enquanto o mundo gira em sombras, lento...
Não me chameis, porque voltar não posso.
( Soneto traduzido por JG de Araujo Jorge
do
livro
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Vol. II - 1a. edição 1966 )
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