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Goethe

 "
Poetas Alemães "

                                

Alguns autores alemães foram traduzidos para o português, 
principalmente Goethe, Schiller, Heiné. Todos românticos.

Eugênio de Castro, Antero de Quental, Manuel Francisco do 
Nascimento,
Gonçalves Crespo, Paulo Quintela, entre os portugueses, João 
Ribeiro, Tobias Barreto, Roquete Pinto, Ary Mesquita, brasileiros, 
realizaram algumas tentativas, trasladando para o nosso idioma 
páginas daqueles autores.

Poucos sonetos, entretanto. E a razão é fácil de se entender: além de 
distantes de nós, culturalmente, pelas dificuldades maiores do 
idioma, os alemães não tiveram Renascimento.

E o soneto é uma flor tipicamente renascentista, como forma 
artesanal. Uma espécie de trabalhado capitel da coluna do 
classicismo poético, apesar dessa coluna apoiar-se sobre a cultura 
provençal.

Moacir M. F. Silva, numa excelente monografia intitulada: 
"Quem inventou o soneto?"refere-se ao aparecimento do soneto em 
vários países: na Itália, seu berço; na França, Espanha, Portugal, 
Inglaterra, Brasil, e em rápidas referências, nos Estados Unidos
 a na América Latina .Não faz a menor referência a Alemanha.

Agostinho de Campos, professor de Coimbra, em seus
"Estudos sobre o Soneto" analisa, entretanto, com detalhes,
a história do soneto na Alemanha. 

Do mesmo modo Mello Nóbrega, que, em seu pequeno 
mas excelente ensaio "Os sonetos do Soneto", comenta: Introduzido por
Johann Fischart, em meados do Século XVI, o soneto tornou-se 
popular, na centúria seguinte, graças à preferência que lhe 
deram Martin Opitz e os poetas renascentistas que o seguiram .

Caiu em desvalia, entretanto, no setecentismo, até que Gottfried
August Bürger (1704-1794) e August Wilhelm, Schlegel (1767-1845 ), 
o revivessem, devendo-se a este último poeta, em grande parte, 
a voga conseguida entre românticos alemães, desencadeada
em verdadeira soneto-mania . " 

E, seguindo o exemplo de Luis de Góngora, Lope de Vega, 
Brizeux, Wordsworth, Dante Gabriel Rosseti, Saint-Beuve, 
Carducci, - Schlegel também cantou a forma imortal italiana, sonetando-a:


"Zwei Reime heisz ich viermal kchren WiederI and stelle sie, 
geteilt, in gleiche Reihen".

Goethe, já quase septuagenário, rendeu-se afinal ao soneto, como 
um namorado que não quer "dar o braço a torcer", e dedicou a um 
seu jovem amor (apenas dezessete anos! ), Minna Herzlieb, um 
verdadeiro "bouquê" lírico, uma "grinalda de sonetos", à moda 
alemã .

A literatura alemã ganhou personalidade e, praticamente surgiu, 
com o Romantismo, com o "Werther" de Goethe.

Os românticos alemães compuseram sonetos, mas estes não 
chegaram a interessar aos nossos poetas a tradutores, porque 
principalmente a partir do Romantismo a grande influência sobre 
nossas letras foi francesa, e os românticos, de um modo geral, 
desdenharam do soneto por se ter fixado como uma forma do
classicismo .

Na própria França quase não foi cultivado nesse período literário. 
Numa obra poética vasta como a Victor Hugo, ou a de Afred de 
Musset, contam-se pelos dedos os sonetos .

Há, portanto, muito pouca coisa traduzida para o português. 
Incluímos nesta coletânea apenas dais sonetos alemães: um de 
Goethe, numa tradução de Eugenia de Castro, outro, de um poeta da 
Século XIX, Hugo Von Hofmansthal, numa tradução minha .

A colônia alemã no Brasil é grande. Há anos, aqui no Rio, a 
"pró-Arke", uma Associação Cultural brasileira-germânica, editava 
uma excelente revista, "Intercâmbio" e nela publicava trabalhos de 
poetas brasileiros, no original e em alemão, em excepcionais 
versões de Tomás. Mário de Andrade em. carta endereçada à 
revista, ( Janeiro de 1951); afirma: "A senhora chama a essas 
traduções de "tentativas" ( Versuche ), mas na verdade não o são
São excelentes transposições para o alemão, e nem compreendo 
outro processo de tradução de poesia".

Pena é que a revista não tenha também apresentado aos leitores 
brasileiros, traduções para o português dos poetas alemães. Nos 
números de "Intercâmbio" que possuo, (seis ao todo) há um grande 
número de versões de poesias brasileiras, inclusive das minhas .



" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1966

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