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" Selvagem "
Tomás Vieira Da Cruz
(Angola) 1900-1960
Ninguém, ninguém, ninguém me queira mais;
podem trazer-me tudo quanto existe:
as pérolas de Ofir e as irreais
ilusões que contentam quem é triste.
Podem trazer-me, em doidos vendavais
a luz da felicidade que sentiste
mulher ditosa que em cortejo vais
seguida de quem ama - de quem riste.
Podeis passar, ó loucas multidões
que eu bem no sinto, em tétrica miragem,
o labirinto em vossos corações
Podeis passar, é luz do sol fecundo,
porque eu não troco o amor desta selvagem
por todas as grandezas deste mundo!
Tomás Vieira Da Cruz (Angola) 1900-1960
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1966
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