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 "
N’gola-flor de Bronze  "

                                                      Tomás Vieira Da Cruz 
                                                  (Angola) 1900-1960


Filha de branco que morreu na guerra 
e duma preta linda do Libôlo, (1)
o teu olhar até de noite encerra 
todo o luar das lendas de Catôlo! 


Ó flor estranha! Já não tem consolo 
a tua mágoa, a tua dor na terra! 
Ó flor estranha do febril Capôlo (2) 
neta de um soba que perdeu a guerra!

Estatua ardente em bronzeadas chamas 
que tentação e perdição derramas 
por sobre a história negra, quase finda!

Neta dum soba que acabou chorando, 
filha de branco que morreu lutando 
e duma preta tristemente linda!

(1) Região da Luanda. 
(2) Arbusto angolense.



Tomás Vieira Da Cruz (Angola) 1900-1960
in

" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1966

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