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"  Soneto do Amor Demaiso " 
                                       Vilmar Rangel

 

Não sei conter o fogo desta chama, 
este amor que me queima, cega e fere, 
que não cabe em si mesmo e se transfere 
a tudo que o rodeia, e tudo inflama;

é como estranha dor que se derrama 
pelo corpo, pela alma, e com seu dente 
vibra golpes de um gozo longo e ardente 
e envolve de ternura aquele que ama;

tão numeroso amor, doido e sublime, 
que a mais sábia palavra não define, 
que canta, chora e morre de ciúme;

amor demais, total e delirante, 
que só sossega, amor, se em ti reúne 
a um tempo esposa, mãe, amiga e amante.


Vilmar Rangel, (1937)
Campos, Estado do Rio de Janeiro.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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