
![]()
*****************************************
" Transfusão "
Tasso da Silveira
Olho-te e olho-me... E, após, sobre nós ambos cismo...
Tua alma, como pode a minha alma prendê-la?
És candura e inocência, e eu vou errando pela
noite negra do mal, da imperfeição, do egoísmo. . .
És pura e eu sou impuro. Entanto (o íntimo diz-mo)
nossa mútua afeição nada pode contê-la...
- Para o meu doido olhar és a atração da estrela,
- ao teu ingênuo olhar sou a atração do abismo...
E havemos de fundir nossas almas, Querida.
E iremos, até soar da vida o último dobre,
como em dois corpos, vês? uma alma bipartida...
Mas, traremos, também ao fim dos nossos dias,
- tu, um pouco do lodo imundo que me cobre,
- eu, um pouco da luz excelsa que irradias...
Tasso da Silveira, (1899 )
Tasso Azevedo da Silveira,
Curitiba, Paraná. Filho de Silveira Neto, poeta.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
*****************************************![]()