jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************

"
  Transfusão  " 
                                     Tasso da Silveira


Olho-te e olho-me... E, após, sobre nós ambos cismo... 
Tua alma, como pode a minha alma prendê-la? 
És candura e inocência, e eu vou errando pela 
noite negra do mal, da imperfeição, do egoísmo. . .

És pura e eu sou impuro. Entanto (o íntimo diz-mo) 
nossa mútua afeição nada pode contê-la... 
- Para o meu doido olhar és a atração da estrela, 
- ao teu ingênuo olhar sou a atração do abismo...

E havemos de fundir nossas almas, Querida. 
E iremos, até soar da vida o último dobre, 
como em dois corpos, vês? uma alma bipartida...

Mas, traremos, também ao fim dos nossos dias,
- tu, um pouco do lodo imundo que me cobre,
- eu, um pouco da luz excelsa que irradias...


Tasso da Silveira, (1899 )
Tasso Azevedo da Silveira, 
Curitiba, Paraná. Filho de Silveira Neto, poeta.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

*****************************************


Home