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"
 Matinal  " 
                                    Tasso da Silveira


Vens de tão simples e clara - ao sol, que é um hino, 
a sorrir na manhã de ouro e cristal... 
Vens... No límpido ambiente matutino, 
és um gorjeio matinal...

Chegas, e de alegria eu me ilumino! 
E tudo mais, num frêmito auroral, 
se transfigura, ao teu condão divino, 
numa clara surdina musical...

Oh que não possa - (vais partir... ) - pela Arte, 
na harmonia de um verso eternizar-te, 
o timbre de ouro e luz vibrando no ar!

Ah, se ficasses, nota de ouro, ecoando . . . 
Ah, se ficasses, límpida, cantando 
na alma que emudeceu por te escutar!


Tasso da Silveira, (1899 )
Tasso Azevedo da Silveira, 
Curitiba, Paraná. Filho de Silveira Neto, poeta.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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