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"
  Soneto VIII  " 
                            Silvio Valente


Manhã de sol. Chego à janela; o mar 
azul e crespo, o vento forte... e eu fico 
cheio de augúrios deliciosos, rico 
desse prazer ingênuo de esperar.

Penso em te ver, Querida, e multiplico 
os meus motivos claros de cantar. 
Saio feliz e logo ao ver-te explico 
toda a alegria que anda esparsa no ar.

Em teus cabelos brinca o vento sul. 
És tão linda e tão loura, és tão radiosa 
sob este céu incrivelmente azul

que se perturba e esvai todo o meu ser !. . . 
E para mim é cousa milagrosa 
como consigo olhar-te e não morrer.


Silvio Valente (1918/1951).
Salvador, Bahia.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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