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" Soneto XV "
Silvio Valente
No começo era o susto e era a alegria;
era a ansiedade e o medo, era o prazer
e a tortura, a delícia de te ver
e o desespero quando não te via.
Era a perturbação clara e sombria,
trêmulo ardor, suavíssimo sofrer.
Linda perturbação que eu não podia
de mim mesmo e dos outros esconder.
Depois . . . depois o inevitável trouxe
o fim da história, meio amargo e doce,
como o incerto sabor de certos vinhos...
E o mais triste, afinal, desses assuntos,
é que hoje somos, quando estamos juntos, (1)
quanto mais juntos, tanto mais sozinhos".
(1) Verso de Guilherme de Almeida que foi
dado como mote, num concurso literário.
Silvio Valente (1918/1951).
Salvador, Bahia
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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