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"
  Sonetos  que o rio guarda " 
                                         Seleneh de Medeiros

II 

Proíbam-me de ti, da infinita ventura 
de ouvir a tua voz, dessa alegria intensa 
que chega a ser angústia, e é júbilo, e é tortura, 
de em silêncio te amar... Proíbam-me a presença

que tudo é para mim... a suave recompensa 
do teu sereno olhar - vislumbre que perdura... 
Do que por ti sonhei, desta paixão imensa 
que me humilha e deslumbra, e aflige e transfigura...

Proíbam-me de ti, de dizer o teu nome!
De sequer te falar, de sonhar que te adore!
Até de um pensamento, até de uma ansiedade...

Ainda tenho algo meu, que o mundo não consome... 
Ninguém pode impedir, meu Deus - ninguém! que eu chore 
ninguém pode impedir que eu chore de saudade! . . .


Seleneh de Medeiros. (1915)
Salvador , Bahia.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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