
![]()
*****************************************
" Sonetos
que o rio guarda "
Seleneh de Medeiros
II
Proíbam-me de ti, da infinita ventura
de ouvir a tua voz, dessa alegria intensa
que chega a ser angústia, e é júbilo, e é tortura,
de em silêncio te amar... Proíbam-me a presença
que tudo é para mim... a suave recompensa
do teu sereno olhar - vislumbre que perdura...
Do que por ti sonhei, desta paixão imensa
que me humilha e deslumbra, e aflige e transfigura...
Proíbam-me de ti, de dizer o teu nome!
De sequer te falar, de sonhar que te adore!
Até de um pensamento, até de uma ansiedade...
Ainda tenho algo meu, que o mundo não consome...
Ninguém pode impedir, meu Deus - ninguém! que eu chore
ninguém pode impedir que eu chore de saudade! . . .
Seleneh de Medeiros. (1915)
Salvador , Bahia.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
*****************************************![]()