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          "
Soneto  (tear divino)" 
                                          Ronald de Carvalho


Longas mãos que teceram meu Destino 
longe de mim... sem que eu as visse, como 
invisos fios de um tear divino 
que procuro domar... mas que não domo...

Longas mãos com que todo me ilumino, 
que vieram para mim, sem um assomo... 
Meigas... como a canção de um velho sino... 
- Pomo do bem... ail... despejado pomo...

- Ânsia da minha vida . . . só de ter-vos 
minha felicidade encontraria 
dentro do desespero de meus nervos...

Benditas mãos que me fizeram monge 
e que me acenam, na Distância fria 
como um adeus... uma asa branca... ao longe...


Ronald de Carvalho (1893/1935)
Rio de Janeiro, Estado de Guanabara.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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