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"
No Jardim em Penumbra " 
                                             Ribeiro Couto


Na penumbra em que jaz o jardim silencioso
A tarde triste vai morrendo ... desfalece...
Sobre a pedra de um banco um vulto doloroso
Vem sentar-se, isolado, e como que se esquece.

Deve ser um secreto, um delicado gozo
Permanecer assim, na hora em que a noite desce,
Anônimo, na paz do jardim silencioso,
Numa imobilidade extática de prece.

Em lugar tão propício à doçura das almas
ele vem meditar muitas vezes, sozinho,
No mesmo banco, sob a carícia as palmas.

E uma só vez o vi chorar, um choro brando...
Fiquei a ouvir... Caíra a noite, de mansinho...
Uma voz de menina ao longe ia cantando. 

Rui Ribeiro Couto 
nasceu em Santos, SP, em 12 de março de 1898, 
faleceu em Paris, França, em 30 de maio de 1963. 

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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