jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************

  Raymundo Correa  

"  O Monge " 

-"O coração da infância", eu lhe dizia, 
"É manso." E ele me disse: -"Essas estradas, 
Quando, novo Eliseu, as percorria, 
As crianças lançavam-me pedradas..." 

Falei-lhe então na glória e na alegria; 
E ele de barbas brancas derramadas 
No burel negro, o olhar somente erguia 
Às cérulas regiões ilimitadas... 

Quando eu, porém, falei no amor, um riso 
Súbito as faces do impassível monge 
Iluminou... Era o vislumbre incerto, 

Era a luz de um crepúsculo indeciso 
Entre os clarões de um sol que já vai longe 
E as sombras de uma noite que vem perto!...


Raymundo Correa (1860/1911)
Raymundo da Mota de Azevedo Correa 
nasceu a 13 de maio de 1860 a bordo do navio São Luiz, 
ancorado em águas maranhenses.
Faleceu a 13 de setembro de 1911, em Paris.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

*****************************************


Home