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" Anjo e Demônio "
Raimundo Varão
Anjo, mulher, demônio a quem venero,
sombra que amaldiçôo e que bendigo,
luz dos meus olhos, infernal perigo,
causa do meu eterno desespero.
Se procuro esquecer-te, é que mais quero
dar-te em minha alma sacrossanto abrigo,
e, concentrando as lágrimas comigo,
as minhas próprias carnes dilacero!
Do meu profundo amor sempre a falar-te,
encontrarás o espectro solitário,
disperso, a soluçar por toda a parte...
E se em teu peito a compaixão não medra,
eu irei, pela senda do Calvário,
arrancando um soluço a cada pedra!
Raimundo Varão. Poeta piauiense.
Sem mais indicações biográficas.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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