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" Onipresença
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Rafael Sãnzio de Azevedo
Não te esqueci, - confesso-te sem pejo,
tendo a certeza cruel de não voltares,
que continuas viva em meu desejo
como a chama votiva dos altares!
Não te pude esquecer, e ainda revejo
tudo, mesmo os instantes mais vulgares,
desde a conquista do primeiro beijo,
à renúncia dos últimos olhares!
Quero cantar em verso outros amores,
mesmo chorando outras amargas dores,
mesmo sofrendo ingratidões iguais...
Luto em vão, todavia, e até suponho
que para sepultar todo esse sonho
fôra melhor não escrevesse mais!
Rafael Sãnzio De Azevedo, (1938).
Fortaleza, Ceará.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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