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" Alma Lúbrica
"
Prado Kelly
Quando, linha por linha, poma a poma,
vejo a luxúria que teu corpo abriga,
eu julgo contemplar, - dá que te diga –
as orgias sonâmbulas de Roma.
Arde em tua alma a corrupção antiga
e em teu sangue escaldante, a febre assoma.
És o fogo que luz; e o mal que instiga;
e a doçura sensual; e o vivo aroma.
Junto de ti abrem-se precipícios. . .
E nestas brenhas sórdidas e rudes,
tombas, pelos penedos escarpados,
no conforto dos gozos e dos vícios,
abandonando todas as virtudes
e abraçando-se a todos os pecados!
Prado Kelly, (1904).
José Eduardo de Pardo Kelly,
Niterói, Estado do Rio.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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