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    "
 Péricles Eugenio da Silva Ramos  " 
                                      
"  Glosa em Soneto  " 

Não me detenhas pelas horas frias, 
enquanto dormem arvores na rua: 
onde a estrela de amor que refletias 
naquela noite que não é mais tua?

Olhos de vaga, torso de ardentias, 
ganhei-te no decurso de uma lua; 
perdeste-me ao cantar das cotovias, 
entre a lágrima e a rosa seminua. . .

E assim de flama esquiva, odeio a calma; 
zurzindo os cascos num tropel de chispas, 
fujo do tédio, embora tu te dispas.

E assim ficamos, entre léguas de alma,
- to que morreste para os meus carinhos ---
"quanto mais juntos, tanto mais sozinhos. . ."


Péricles Eugênio da Silva Ramos (Gil Goncourt)
1919 – Lorena, SP - 24 de outubro
1992 - São Paulo, SP - 14 de maio
Soneto glosando um verso de  Guilherme de Almeida, - “O Último.”

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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