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"
 Desencanto " 
                                         Paulo Moreno
   

Pudesse eu perpetuar em suave primavera
os momentos de agora em que te sonho,
enquanto fora a chuva satura e resfria a atmosfera,
pondo sobre o meu tédio amarguras de pranto.

Eu tremo de pensar no fatal desencanto
que no amor mais profundo e sincero se opera:
- a gente sofre tanto, a gente espera tanto,
e a mulher nunca vale o que dela se espera...

Eu receio chegar ao momento do sonho
em que a luz se transmuda em silêncio sombrio. . .
esse momento atroz, esse instante medonho,

cuja aproximação pressentida me aterra,
em que eu hei de saber pela voz do fastio
que o meu sonho não vale o que eu sofro na terral. . .


Paulo Moreno (José Augusto de Lima).
Soneto retirado à coletânea "Rosal de Ritmos".
Sem indicações biográficas.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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