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" Lírio Imóvel "
Pádua
de Almeida
Por que te foste assim... risonha e pura,
no mais leve de todos os traspasses,
quando a Morte, muito antes que expirasses,
fez cessar teus momentos de tortura?
Ficaste linda, como se voltasses
a esses tempos de sonho e de candura
em que Deus, avivando-te a figura,
punha raios de sol em tuas faces.
Lembrai-me de que um dia, ingenuamente,
fixando o teu olhar quase inocente,
quis saber como foste em pequenina.
E senti que, morrendo, desejaste,
nessa graça de lírio imóvel na haste,
dar-me a impressão de quando eras menina.
Pádua De Almeida, (1890).Rio de Janeiro, Guanabara.
Irmão de Moacyr de Almeida. Pádua de Almeida
traduziu especialmente para esta antologia, volume III
(Poesia européia e americana), três sonetos de Miguel Ângelo.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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