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" Incenso "
Pádua
de Almeida
Vives tão alto, no meu pensamento...
toda feita de sonho. . . e pura . . . Um dia,
chegaste num momento em que eu sofria,
como o incenso entre os muros de um convento.
Como o incenso trazido pelo vento,
entraste pela minha nostalgia
e me aqueceste a imensidade fria,
nos longos pátios do meu desalento.
Abriram-se, da nave aos corredores,
em meu silêncio, fundas perspectivas. . .
e minha sombra, halos de sete cores . . .
Hoje, no entanto, que estás longe, o incenso
principia a fugir entre as ogivas
e eu, novamente, sinto um frio imenso.
Pádua De Almeida, (1890).Rio de Janeiro, Guanabara.
Irmão de Moacyr de Almeida. Pádua de Almeida
traduziu especialmente para esta antologia, volume III
(Poesia européia e americana), três sonetos de Miguel Ângelo.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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