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" As Duas Andorinhas "
Pádua
de Almeida
Quando, todas as tardes, te avizinhas
de mim, sorrindo, à luz crepuscular,
as tuas mãos são duas andorinhas
que em minhas tristes mãos vêm-se abrigar.
Porém, um dia, as tuas mãos, que aninhas
entre os meus dedos, ante o céu e o mar,
as tuas mãos, hão de partir das minhas...
Vazias minhas mãos hão de ficar.
Mas, não; talvez que as duas andorinhas
que retenho, a sonhar, para aquecê-las
nesta grande ternura singular,
hão de deixar nas minhas mãos sozinhas
um pouco desse sol e essas estrelas
que trouxeram nas asas, ao chegar.
Pádua De Almeida, (1890).Rio de Janeiro, Guanabara.
Irmão de Moacyr de Almeida. Pádua de Almeida
traduziu especialmente para esta antologia, volume III
(Poesia européia e americana), três sonetos de Miguel Ângelo.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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