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" Receio "
Othon Costa
Este medo de amar, este receio
que eu dissimulo, às vezes, num sorriso,
talvez lembre uma dor que cicatrizo
e procuro esconder do olhar alheio.
Eu creio ainda no amor, mas também creio
que para a gente amar será preciso
ter na alma o inferno enquanto o Paraíso
faz-se a ilusão do nosso eterno anseio.
No princípio, é o amor-felicidade,
depois - o rompimento, a dor, saudade,
o desgosto infinito de viver...
Tudo porque se desejou que a vida
fosse a felicidade prometida
no efêmero momento do prazer...
Othon Costa, Rio de Janeiro, Guanabara, (1905).
No volume III desta antologia, (Poesia européia,
norte-americana e latino-americana) há traduções
de sonetos de Stecchetti e de poetas latino-americanos
feitas por Othon Costa.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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