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"
  Sereia  " 
                                Oscar Rosas

Reparem nesse bronze, veia a veia,
Cornucópia de seios e de escama,
Obra de um japonês, em que o Fusi-Iama
Adora o mar em enluarada areia.

Canta, e essa harmonia nos golpeia.
É duma triste e solitária gama,
Porém aumenta desse bronze a fama
O olhar amortecido da sereia.

Penso que sonha o pólo e o nevoeiro,
E a pálida talhada de um crescente
Num céu de véus de noiva e jasmineiro.

E, como búzio a referver, ressoa
Numa langue preguiça de serpente,
Num êxtase nostálgico de leoa.


Oscar Rosas Ribeiro de Almeida:
nasceu em 12-2-1864, em Florianópolis;
faleceu 27-1-1925, no Rio de Janeiro.
Não deixou livros publicados.
Seus poemas estão esparsos pelos jornais e revistas.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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