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" Poema "
Onestaldo
de Pennafort
Sob o consentimento das estrelas,
nós dois, repletos do silêncio antigo,
que os que vivem a amar trazem consigo,
nos amaremos ternamente, pelas
noites de calma e de luar profundo
em que as almas dos olhos que se abordam
em gotas de água trêmula transbordam,
como água que enche olhar do lago fundo...
E se, um dia, sentimos que se finda
o amor mais triste do que a morte, ainda
tentaremos uma última ternura
para que o nosso amor morra a viver,
como uma nota de órgão que perdura,
como as chamas sonâmbulas que acordam
e ardem mais alto no ar, para morrer . . .
Onestaldo de Pennafort Caldas
1902 - Rio de Janeiro RJ - 25 de junho
1987 - Rio de Janeiro RJ - 18 de abril
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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