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"
  Neve  " 
                               Oliveira e Silva

 

Hei de sentir uma ternura grave,
qualquer cousa de pausa na descida,
quando te surpreender compondo, suave,
a bela cabeleira embranquecida.

Talvez o outono seja a grande chave
perfeita e luminosa desta vida,
em que mãos postas, murmuramos: Ave,
ventura, colho-te amadurecida?

Há, no outono, um sabor de cachos de uvas
que provamos, tranqüilos, só de vê-los
rebrilhantes, lavados pelas chuvas.

Deve ser muito doce e manso, ainda,
sorridente, ao tocar os teus cabelos,
dizer-te como a neve te faz linda !



Francisco de Oliveira e Silva (1897)
Recife, Pernambuco

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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