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  A Doce Aspiração  " 
                                                        Oliveira e Silva

   
És tu. Deves ser tu. Lembro-te. Esqueço
tudo o que me negaste, e o desatino
do espanto doloroso te agradeço,
num perdão espontâneo, repentino.

Saudade inglória dessas mãos de gesso,
veiadas de um azul pálido e fino.
Tão macias e leves, no começo,
e tão rudes, depois, no meu destino!

Saudade do calor, naquele impulso
de te sentir a vida nos refolhos,
palpitante, com os lábios no teu pulso !

Delicioso desejo o que alimento:
ser imagem, no fundo dos teus olhos,
sombra, carícia no teu pensamento!. . .


Francisco de Oliveira e Silva (1897)
Recife, Pernambuco

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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