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" Soneto  n.°2 "              
                                Octavio Mora

       
Ao seu corpo, tão leve que flutua
dirigindo-nos nós eternamente
e o sol procura nela o continente
que todo mar promete, mas recua

para além de si mesmo: sem esforço
dominamos o ar, a tempestade
e ao começarmos a sentir saudade
de nós mesmos, achamos em seu dorso

de continente à vista, ao alcance
país onde deitar nosso cansaço
e estímulo: seguimo-la, e é sua

a paisagem que despe de relance
nosso olhar: e despe-a cada passo
mas somente deitada fica nua.


Octavio Mora (1933)
Rio de Janeiro - Guanabara

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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