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" Mulheres e Árvores "
Nilo
Aparecida Pinto
Ai da mulher que nunca foi beijada!
Ai daquela que amou, mas infeliz,
não pode ter, humilde e desprezada,
a existência gloriosa que ela quis !
Ai daquela também que sendo amada
desprezou seus impulsos feminis,
e que sozinha, ao termo da jornada,
ante o próprio destino se maldiz !
Elas são como as árvores doridas
que, exilando-se estéreis e esquecidas
na tristeza dos bosques incolores,
vivem à sombra dos ramais hirsutos,
intimidadas por não terem flores
e envergonhadas por não darem frutos.
Nilo Aparecida Pinto, (1911)
Caratinga, Estado de Minas.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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