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" Evocação "              
                                       Nathan Coutinho



De uma alvura a que nada se compara
eras, flor espiritual do meu martírio,
a glória ideal de uma beleza rara
em teus contornos clássicos de lírio.

Não faço um verso que me sirva, para
dizer-te o meu amor e o meu delírio.
Por ti, me extingo, numa flama clara,
como se extingue lentamente um círio...

Eu te amo... eu te desejo... E estás tão longe
da minha dor, que nem me vês, tristonho,
em minha vida ascética de monge...

E eu vejo sempre a tua imagem leve
desabrochada dentro do meu Sonho,
como uma flor de espumas e de neve.


Nathan Coutinho do Rosário.
Nascimento – 23.08.1911, Valença, Bahia.
Faleceu – 23.08.1991

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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