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" Soneto do último Sino "              
                                       Murilo Araujo

    
Que riso matinal nos sinos claros,
dos domingos de outrora em que me vinhas,
e eu via Deus pelos teus olhos caros,
erguendo aos céus as tuas mãos nas minhas!

Missa. No altar, de mármore de Paros,
gorjeavam de amor as andorinhas
contrapontando os seus acordes raros,
com os tintinábulos das campainhas.

Onde a festa divina dessas horas?
O riso matinal dos sinos claros
já longe, no passado, emudeceu.

E só meu coração dobra a desoras,
dobra, em meio ao maior dos desamparos,
pela felicidade que morreu.


Murilo Araujo, Serro, Minas, (1894).
Para o volume III desta antologia, (Poesia européia e americana),
Murilo Araujo traduziu especialmente três sonetos,
um de Ronsard (francës), outro de Rubem Dario (nicaraguense),
e um de Juana de Ibarbourou, (uruguaia).

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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