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" Soneto  do Grande Cântico "              
                                       Murilo Araujo

   
O vento vesperal traz do bosque e das searas
todo um sorvo de vida ardente e embriagador.
Queimam jardins incenso e mirra em suas aras.
Toda a terra te espera harmoniosa, Amor.

A tarde amontoou nas grandes almenaras
rosas em profusão, e em fogos de louvor
fê-las arder no acaso em labaredas claras. ..
Todo o céu te festeja iluminado, Amor.

O oceano asserenou sua glória de espumas;
encheu de astros azuis o seu cristal sem brumas.
Todo o mar te sublima em seu verde fervor?!

E, mais que a terra e o mar ou que o céu infecundo,
tenho na alma um domínio, ah maior do que o mundo...
Vem reinar no sem-fim desse mistério, Amor!


Murilo Araujo, Serro, Minas, (1894).
Para o volume III desta antologia, (Poesia européia e americana),
Murilo Araujo traduziu especialmente três sonetos,
um de Ronsard (francës), outro de Rubem Dario (nicaraguense),
e um de Juana de Ibarbourou, (uruguaia).

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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