jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************
             
              
" Beduíno  "              
                                       Moacyr de Almeida


   
Olha o imenso deserto em que vivo chorando...
Nunca a sombra do amor desceu sobre os meus dias!
Dorme meu coração cheio de um tédio infando,
num túmulo de fogo e de areias bravias...

Tu que eu amo, jamais com teu olhar tão brando
tornará num vergel este areal de agonias,
com teus beijos florindo o áspero chão nefando,
com teus risos enchendo o espaço de harmonias!

Sofro. Em tédios de brasa e clarões de martírios...
Ah! mas tu que és irmã das fontes e dos lírios,
e que espero ajoelhado e de braços abertos,

não virás a este amor de beduíno e maldito,
em cuja fronte pesa a aflição do infinito,
em cujo beijo amarga a areia dos desertos...



Moacyr de Almeida (1912/1925)
Rio de Janeiro, Guanabara.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

*****************************************


Home