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" Beduíno "
Moacyr de Almeida
Olha o imenso deserto em que vivo chorando...
Nunca a sombra do amor desceu sobre os meus dias!
Dorme meu coração cheio de um tédio infando,
num túmulo de fogo e de areias bravias...
Tu que eu amo, jamais com teu olhar tão brando
tornará num vergel este areal de agonias,
com teus beijos florindo o áspero chão nefando,
com teus risos enchendo o espaço de harmonias!
Sofro. Em tédios de brasa e clarões de martírios...
Ah! mas tu que és irmã das fontes e dos lírios,
e que espero ajoelhado e de braços abertos,
não virás a este amor de beduíno e maldito,
em cuja fronte pesa a aflição do infinito,
em cujo beijo amarga a areia dos desertos...
Moacyr de Almeida (1912/1925)
Rio de Janeiro, Guanabara.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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